O TEMPLO MAÇÔNICO

O TEMPLO MAÇÔNICO

DESPOJANDO-SE DOS METAIS

e. figueiredo(*)
"Fortuna vitrea est; tum cum
splendet, frangitur." *
* “A fortuna é de vidro; quanto mais
brilha, mais frágil é.”



O ritual de iniciação no grau de Aprendiz Maçom é o resultado de numerosos mitos esotéricos da Antigüidade e mantém no mundo ocidental as formas primordiais da espiritualidade elaborada pelos antigos. O candidato é, primeiramente, levado a um aposento escuro, a Câmara de Reflexão, onde sua solidão reencontra muitos símbolos. Este conhecimento das profundezas da terra inspira-se nas múltiplas descidas aos infernos da Antigüidade.

O candidato, ainda profano, ao entrar na Câmara de Reflexão é despojado dos seus metais, entregando-os ao Irmão Experto tudo que está de posse e é metálico, como: dinheiro em moeda e papel, relógio, corrente, anel, jóias, óculos de aros metálicos e outros objetos dessa natureza. Há exceções apenas para com o ouro e prata colocados pelos dentistas, por questões óbvias e porque já fazem parte da pessoa. Os metais são colocados num recipiente apropriado, para que sejam devolvidos, posteriormente, ao proprietário.

Na Maçonaria, a expressão “metais” possui os dois sentidos: o próprio e o figurado. No sentido figurado, significa o abandono voluntário de toda paixão no momento de entrar na Loja. Medalha cunhada e gravada é o dinheiro, papel ou moeda, cujo valor é dado em quilogramas, quando a ele nos referimos, e trata-se do mais importante metal em termos e simbólicos da Ordem. Há, porém, quem reconheça que o Candidato ao passar pelos diversos pontos magnetizados da Loja, recebe o efeito que lhe corresponde receber, e, recebe, também, através de toque de espada, uma descarga eletrizante de energia. Assim, o candidato não pode portar qualquer metal, pois, despojado dos metais, simbolicamente ele está despido das vaidades e do luxo da sociedade profana, e, a privação dos metais faz lembrar o homem antes da civilização, em estado natural, quando desconhecia a vaidade e o orgulho.

Pelo sentido hermético, existe a razão que se relaciona com as forças magnéticas presentes no interior do templo; essas forças estão distribuídas em vários lugares onde elas se concentram, principalmente no Altar de Juramentos. Se o candidato estiver portando algum metal, este atrairá uma parcela das forças fazendo com que o magnetismo, por indução, perturbe no ponto atingindo as vibrações harmônicas, que se estabeleceram durante o período em que ele se entregou à meditação.

Quando do despojo dos metais, recomenda-se o maior rigor, pois o simples esquecimento de um anel, aliança ou fivela de um cinto, invalida, irremediavelmente, todo o cerimonial da iniciação. O candidato deverá ingressar no templo despojado de tudo aquilo que se relaciona com os bens materiais e com as vaidades mundanas, visto que ele é, para a Ordem, até aquele momento, um pobre profano que caminha nas trevas, ou, despojado de todos os valores externos, nada existe que aos olhos da Fraternidade lhe possa dar alguma imponência, exceto a pureza do coração e o caráter franco e honesto. Despojar-se dos metais é tirar o grande corruptor, das consciências e provar, no plano físico, a renúncia aos bens materiais.

Entende-se, portanto, quando se fala do candidato despojar-se de todos os metais, não é somente dos metais propriamente dito, mas, também, do abandono de suas idéias pré-concebidas, suas qualidades inferiores, tais como os vícios, os preconceitos, as paixões do seu intelecto, de suas crenças infundadas, de tudo aquilo que contraria as virtudes. Deve, o candidato, esforçar-se para pensar por si mesmo e procurar não manter-se apegado aos pensamentos que lhes pareciam ser os mais agradáveis até então. Exige-se, nesse momento, uma perfeição simbólica, motivo pelo qual lhe é solicitado que domine seus sentimentos de posse, poder, vaidade, paixões que são inerentes ao homem comum. Simbolicamente, está se despojando dos metais que são os maiores corruptores das consciências e cujas qualidades negativas são: do Ouro, o Orgulho; da Prata, a Preguiça; do Ferro, a Cólera; do Mercúrio, a Inveja; do Estanho, a Gula; do Cobre, a Luxúria; e, do Chumbo, a Avareza. E, despojando-se, está provando, materialmente, que concorda em abandonar essas qualidades inferiores para poder realizar a ascensão do Espírito. O apego aos bens materiais é considerado um indício notório de inferioridade, pois quanto mais o homem se apega aos “valores” deste mundo, menos compreende o seu destino.

Assim agindo, os Mestres estão tentando fazer com que o candidato fique afastado de todo o desejo, ambição e cobiça dos valores externos para conhecer a si mesmo; encontrará, então, em seu interior, os verdadeiros valores espirituais. Dinheiro, bens, ciência, são vaidades ante esse conceito. Aprenderá a pensar por si e não seguir, cegamente, o conhecimento e a crença de seus ancestrais.

Na verdade, o candidato está morrendo para a vaidade, para o vício, para o orgulho, para as ambições deletérias. Ele, como o grão de trigo, que ao morrer na terra perde a sua casca, vai começar um novo ciclo de vida: Tem de renunciar grande parte de sua vida e vai ser um elemento produtivo para a sociedade.

Após a Iniciação, os metais são restituídos, agora ao Neófito. Doravante, o falso brilho não iludirá mais, porque ele já percorreu o primeiro ciclo de uma transformação radical do seu ser, porquanto foi purificado moral e intelectualmente. Os mestres consideram que o novel iniciado é, daí por diante, capaz de fazer uso, no bom sentido, das riquezas deste mundo, em lugar de ser escravo delas.

A Maçonaria não despoja ninguém das honras de que gozava antes de ser Maçom. até pelo contrário, aumenta essas honrarias, principalmente quando forem merecidas, pelo bem da confraria, que deve honrar àqueles que merecem condenar os maus costumes.



BIBLIOGRAFIA:

Araújo, Waldy Jacinto - Manual de Administração de Loja
Boucher, Jules - A Simbólica Maçônica
Castro, Boanerges Barbosa - Templo Maçônico e se Simbolismo
Charlier, René Joseph - Pequeno Ensaio de Simbólica Maçônica
Jacq, Christinan - A Franco Maçonaria, História e Iniciação
Lira, Jorge Buarque - A Maçonaria e Cristianismo
Zoccoli, Hiran Luís - A Iniciação Maçônica
A Verdade n 287 - Março 1981
Ritual de Aprendiz Maçom - GLESP
Seminário de Mestres Maçons - 1980 - Ponta Grossa pr

NI.PI.RR

(*) E. Figueiredo - é jornalista - Mtb 34 947 e pertence ao
CERAT - Clube Epistolar Real Arco do Templo /
Integra o GEIA – Grupo de Estudos Iniciáticos Athenas /
Membro da Confraternidade Mesa 22, e é
Obreiro da ARLS Verdadeiros Irmãos– 669 (GLESP)



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