O TEMPLO MAÇÔNICO

O TEMPLO MAÇÔNICO

A PUREZA DO RITO SCHRODER

Autor:Hamilton Oceano Martins(*)



A Maçonaria não é uma ciência exata, por mais que procuremos unificá-la. Torna-se difícil visto que a cultura maçônica está voltada toda ela para o REAA, por ser o Rito mais difundido em todo o Brasil, de onde a maioria dos IIr.Schrödeanos tem sua origem e que, buscando mais liberdade de pensamento, liberdade histórica, filosófica e fraterna, partiram para novos caminhos. O problema das diferenças é que as Lojas que trabalham no Rito Schröder estão distribuídas em três Potências ou obediências, a saber: GOB, COMAB e CMSB, num total de 128 Lojas em 24 unidades de Federação. Ou seja, governos diferentes, constituições, leis e regulamentos diferentes. Temos inclusive que orientar muitos IIr.quando nos procuram em busca de sugestões ou para trazer novidades de outros Ritos por acharem mais práticas sobre a questão da identidade no nosso Rito Schröder. As Potências não têm o direito de mudar a pureza dos Ritos como nos ensina o Mestre Hercule Spoladore: “O Grão-Mestre, quando recebe em sua Potência um Rito, recebe de ‘porteira fechada’”. O aconselhamento do Colégio do Rito é que procuremos junto às nossas Potências estarmos ligados às Comissões Litúrgicas bem como num relacionamento amistoso com o Grão-Mestre, a fim de que nossas necessidades em benefício e engrandecimento do Rito Schröder sejam atendidas de maneira adequada. Os Grão-Mestres não tem obrigação nenhuma em conhecer todos os Ritos de sua Potência e, por esta razão, os IIr.com mais conhecimento devem estar por perto para conseguir o maior aprimoramento do Rito. A G. L. de São Paulo acaba de revisar os rituais de Aprendiz, Companheiro e Mestre, buscando a fidelidade aos rituais de 1.960 do Rito Schröder, cuja contribuição maior foi dos IIr. Rui Badaró e Ivan Carlos Catunda, conhecedores da língua germânica, que contribuíram bastante com o aprimoramento real dos rituais. Nem sempre o Grão-Mestre designa para as Comissões de Liturgia IIr.de vários Ritos, fazendo com que alguns deles opinem sobre Ritos que não conhecem em sua profundidade, o que traz dificuldades para a manutenção da pureza e da riqueza do Rito. Vários IIr.tem escrito sobre as diferenças do Rito Schröder em relação ao REAA e que aqui enumeramos algumas, que consideramos importantes na preservação do Rito: REAA SCHRÖDER Triponto Ponto Oriente Leste Ocidente Oeste Coluna Castiçal Painel Tapete Maço/Cinzel Alvião Past Master Ex-Venerável Trolhamento Exame Leitura do Ritual Memorização Luzes Dignidades Câmara de Reflexão Câmara Escura Preparação para Iniciação Respeito Idade Não tem Poderíamos continuar com uma listagem prolongada para mostrar as diferenças, lembrando que temos no Brasil dois REAA, o praticado pelo GOB e COMAB, via França, genuínos, vermelho (sem entrar nas questões políticas – “Stuart”) e das Grandes Lojas (1928, de Mário Behring), que por ocasião da fundação das GG. LL. trazia REAA, Emulação e Schröder. No ritual de 1928 (GLESP REAA) vamos encontrar: Leste, Oeste, Ex-Venerável, etc., etc. e tantas outras nomenclaturas que foram se perdendo no tempo. Não podemos nos esquecer que as Grandes Lojas foram fundadas com Carta Constitutiva do Supremo Conselho (também sem comentários adicionais). Hoje, na GLESP, temos a oportunidade de escolher entre oito Ritos e não temos o direito – e nem podemos - misturar uns com os outros. Sejamos autênticos, preservando e conservando as tradições e belezas de cada um dos Ritos. 


 (*) Ir. Hamilton Oceano Martins,ex-V.M., Membro da A.R.L.S.“O Despertar da Consciência” Nr. 588 – Rito Schröder – GLESP Or. de São Paulo – SP04 de setembro de 2016

CERIMÔNIA MAGNA DE INICIAÇÃO


No dia 19 de outubro a ARLS Verdadeiros Irmãos, 669 iniciou o agora irmão João Carlos Soares Gomes de Barros.

Tivemos uma Cerimônia muito bem conduzida e sobretudo abrilhantada pela presença do nosso Respeitável Ir.´. Delegado Regional, Dermival Gusmões que não poupou esforços para ajudar-nos na realização de tão importante ato.

A Cerimônia terminou com um ágape de confraternização estreitando os laços que nos unem como Verdadeiros Irmãos.

ANULANDO O VOTO & CIDADANIA

Autor: E. Figueiredo


Quando a época da eleição se aproxima algumas vozes, em campanha, começam a se levantar sugerindo para anular o voto ou votar em branco.  E com o advento da Internet, ficou mais acentuado o esforço para incentivar esse tipo de atitude, que não é cívica.  São disparados, como metralhadoras, infinito número de e-mails conclamando os eleitores a seguirem a orientação proposta.

Para convencer, a tática é utilizar vários motivos que são apregoados incessantemente.  Entretanto, quem aceita essas campanhas e se agregam à elas, sem desconfiar, não reconhece que por trás das mensagens de chamamento sempre existe um ou vários políticos que pretendem ganhar as eleições de qualquer maneira, custe o que custar. E, com isso, quem perde é o próprio cidadão, pois está ajudando a eleger o pior e, principalmente, qualquer um que compre voto.

Quem vota nulo, em branco ou, até, deixa de comparecer às urnas, não terá jamais moral para exigir, absolutamente, nada da região onde reside, do Município, do Estado e do seu país.  Com que moral poderá reclamar que seu bairro está necessitando de melhorias ?  Que os impostos não estão sendo usados como manda o figurino ?  Que a iluminação pública não chega à rua em que mora ?  Que a coleta do lixo não é frequente ?  Que a escola dos filhos deixa muito a desejar ? Que não há policiamento suficiente ? Que muitos políticos são incompetentes e corruptos ?  Que faltam leis mais duras para diminuir a bandidagem ?  Que a atenção das autoridades, para o trânsito caótico, é precária?

Na verdade, o ato de votar nulo, em branco ou deixar de votar, é u’a manifestação de falta de cidadania, que contribui para piorar o nível dos ocupantes de cargos públicos.  A omissão, para o ato de votar, não funciona para quem quer tomar posição na luta social e política.

Conclui-se, assim, que quem anula o voto, vota em branco ou não comparece às urnas, não pode jamais exercer sua cidadania plena, que é o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos na Constituição.  

(*) E. Figueiredo -  é jornalista - Mtb 34 947 e pertence ao
CERAT - Clube Epistolar Real Arco do Templo  / 
Integra o GEIA –  Grupo de Estudos Iniciáticos Athenas /
Membro do Grupo de Estudos Maçônicos Verdadeiros Irmãos
Obreiro da ARLS Verdadeiros Irmãos– 669 (GLESP)

POR QUE PROFANO? ONDE ESTÁ O BUSÍLIS?

Autor: E. Figueiredo


Assim não profanarão as coisas santas dos
filhos de Israel, que oferecem ao Senhor !

                                Levítico 22:15


Após alguém ser convidado para ingressar na Maçonaria, ao se referir a ele, diz-se que é um candidato ou aspirante a tornar-se Maçom.  Entretanto, não raro os adjetivos passam a ser outros.

Quando Lojas despacham convites para uma Sessão Magna de Iniciação, geralmente informam a Iniciação do "Profano"  e não, como deveria ser, "Candidato".

Em sessões Maçônicas costuma-se dizer, quando um Irmão justifica a ausência de um outro Irmão, que "fulano está ausente por motivos profanos".  Apesar de todos os presentes entenderem a mensagem, que o motivo pode ser profissional ou social, fica para alguns, que o ausente estaria cometendo algo condenável.  Profano....

Não obstante, a utilização desse adjetivo não está somente nos convites ou nas expressões para justificar ausência.  A própria cerimônia utiliza da palavra o tempo todo.

A Iniciação, para ingresso na Maçonaria, é o ato ou sequência de atos de natureza litúrgica, esotérica e simbólica, pelos quais se aceita um novo adepto e se transmite a ele a filosofia e a doutrina da Sublime Ordem.  É um ato ativo de ambas as partes: o primeiro inicia e o segundo se esforça para ser iniciado.  A Iniciação comporta uma morte e uma ressurreição ritualísticas.  O neófito é, simbolicamente, "morto", e, ao fim da cerimônia, é considerado um homem novo. 

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI ! - Renasceu !

A Iniciação equivale ao amadurecimento espiritual.

No Ritual de Aprendiz, uma explicação antes do texto da cerimônia de Iniciação, no item INICIAÇÃO, a referência é mesmo "candidato". Mas, no item DA PREPARAÇÃO DO CANDIDATO, a explicação inicia assim:

"O profano deve ser conduzido à Loja por seu padrinho......"

Já no item CÂMARA DE REFLEXÃO o candidato recebe o nome de Recipiendário (Que alguns dicionários dão como "aquele que é recebido em uma academia, em uma corporação de letrados, de sábios.")

No Ritual da cerimônia de Iniciação, propriamente dito, esporadicamente se fala "candidato", sempre se menciona "Profano".

No início da cerimônia, quando o Irmão Experto retorna da Câmara de Reflexão com a espada em punho, tendo na ponta espetado o testamento, ele diz:

"Venerável Mestre, o Profano cumpriu sua primeira obrigação !"

O Orador lê o documento e o Venerável Mestre pergunta:

"Meus Irmãos, estais satisfeitos com as respostas do Profano ?"

(Observe-se que a palavra Profano é sempre grafada com a primeira letra em maiúscula!)

Durante toda a cerimônia, o candidato é referido como profano.

Nos dicionários, profano é tudo que transgride as regras sagradas, o que torna contrário ao respeito devido às coisas divinas.  Gramaticalmente, profano é adjetivo que qualifica o que é estranho à religião.  O adjetivo profano vem do latim profanus: pro (=ante) + fanum (templo).  Aquelas pessoas que estavam dentro do templo eram consideradas sagradas ou religiosas;  as que ficavam fora ou na frente do templo eram as não religiosas, ou profanas.

Na Bíblia Sagrada, a palavra profano aparece em diversos capítulos.  Por exemplo, no livro do profeta Ezequiel, capítulo 44, versículo 23, reza:

"E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro !"

Acontece que a Maçonaria não é religião !

Se a Maçonaria não é religião não caberia, portanto, o adjetivo Profano para o candidato ingressar na Sublime Ordem !

Os mesmos dicionários dão como antônimo de profano as palavras "divino" e "santo", dentre outras, o quê nos direciona, também, à religião.

Qual seria a reação de um homem, ao ser convidado para ingressar na Maçonaria, dizer a ele que é um profano ?  Inaceitável admitir tratar-se de uma gramática própria como na política, no cinema, na produção de automóveis e na sociedade.

Compreende-se que esse raciocínio, para os não iniciados serem tratados de profanos, não tem essa designação porque os Maçons seriam preconceituosos ou desrespeitosos para quem não pertence à Sublime Ordem, mas sim por serem estranhos e alheios aos conhecimentos dos assuntos ligados à Maçonaria.  Ao analisarmos bem, seria um paradoxo trazer um profano de verdade para um ambiente de moral Maçônica, que é o maior escopo da Instituição.  E, nesse contexto, há de se convir, jamais um Maçom convidaria alguém para ingressar na Ordem sabendo-se que seria uma pessoa profana, na melhor acepção da palavra e por mais tênues quem fossem os sinais.

Como substituir a palavra "Profano" se os seus sinônimos são "sacrílego", Ímpio", "Irreverente", "Irreligioso", "libertino", todos eles se referindo transgredir, violar, infringir uma regra sagrada ??!...

Aí é que está o busílis !....



Obras consultadas:
   Eliade, Mircea - O Sagrado e o Profano
      Huxley, Francis  - O Sagrado e o Profano
         Pacheco, jr,  Walter - Entre o Esquadro e o Compasso
            Siqueira, Francisco Mello - Jesus e a Moral Maçônica
   Ritual de Aprendiz  - GLESP
      Bíblia Sagrada

(*) E. Figueiredo – é jornalista – Mtb 34 947 e pertence ao
                                               CERAT – Clube Epistolar Real Arco do Templo/
                                               Integra o GEIA – Grupo de Estudos Iniciáticos Athenas/
                                               Membro do GEMVI – Grupo de Estudos Maçônicos Verdadeiros Irmãos/
                                               Obreiro da ARLS Verdadeiros Irmãos – 669 – (GLESP)


OS LANDMARKS

Autor: Ir.´. Caio R. Reis


Antes de iniciarmos o nosso trabalho, resta definir o que vem a ser um “landmark”. A palavra é inglesa e se buscarmos uma tradução literal no dicionário, vamos encontrar a palavra marco.
No meu entendimento, marco ainda não é melhor tradução para “landmark”. Eu, numa tradução livre o chamaria de ponto notável. Ponto notável de que?

Muito bem, nos primórdios da Maçonaria, tal qual hoje ela é conhecida, houve na Inglaterra, a necessidade de se escrever uma Constituição a qual permanece até os nossos tempos. Naquela época existia uma excrecência maçônica que era a admissão nos trabalhos e nos Templos Maçônicos, de religiosos e médicos, mesmo não tendo eles sido iniciados em nossos augustos mistérios.

Assim sendo, foi escolhido junto com outros maçons notáveis da época um Pastor Presbiteriano chamado Reverendo James Anderson para desempenhar tal tarefa. Dizem alguns estudiosos maçons que há dúvidas se o Rev. Anderson era verdadeiramente maçom, isto é se havia sido regularmente iniciado.

Foi desta forma escrita a Constituição Maçônica onde se percebe claramente a influência religiosa do ortodoxo Rev. Anderson.

Logo no início da Constituição pode ser lido o seguinte trecho: “pela sua missão, um maçom é OBRIGADO a obedecer a Lei Moral, e nunca será um estúpido ateu, nem um Libertino Irreligioso”. A palavra libertino no caso tem o seguinte significado: “que ou aquele que revela irreverência a regras e dogmas estabelecidos, especialmente à religião e à prática desta”. Ora, onde está a tão apregoada liberdade na Maçonaria? Ser livre e de bons costumes. Como pode haver liberdade se nos obrigam a seguir dogmas religiosos e praticar uma religião?

Bem, querendo ou não esta é a Constituição que temos e que com o passar dos anos foi um pouco abrandada através da introdução dos “landmarks”.
Os “landmarks” são pontos notáveis e agora me permito usar a minha tradução, extraídos desta Constituição e que devem ser rigorosamente obedecidos pelos Maçons.
Ocorre que a extração destes pontos notáveis não foi feita apenas por um único maçom e desta forma temos dezenas de conjuntos de “landmarks” utilizados conforme a conveniência de cada Potência Maçônica que os adota.

Os “landmarks” adotados pela GLESP foram escritos por um médico americano chamado Dr. Albert Galletin Mackey, são em número de vinte e cinco e suavizam bastante a escrita original da Constituição, principalmente quando trata da crença no G.´.A.´.D.´.U.´..

Outros ritos, como é o caso do Rito Moderno adotaram os nove “landmarks” do Ir.´. J.G. Findel e assim as diversas Grande Lojas Americanas adotam cada qual o tipo de “landmarks” que consideram mais conveniente, escritos por diferentes irmãos e variando em número e em conteúdo.

Deixemos portanto claro que os “landmarks” surgiram bem mais tarde do que a Constituição e no meu entender foi uma forma encontrada para abrandar o radicalismo religioso que até hoje transparece em nosso rituais.

Cada conjunto de “landmarks” é intocável e imutável e são tratados como cláusulas pétreas. Pode, entretanto a Potência Maçônica mudar o seu conjunto de “landmarks”, adaptando-os da forma mais conveniente.