O TEMPLO MAÇÔNICO

O TEMPLO MAÇÔNICO

CERIMÔNIA MAGNA DE INICIAÇÃO

A ARLS Verdadeiros Irmãos, 669 no dia 1 de abril de 2015, procedeu em seu Templo a iniciação de 
Luiz Roberto Arouca Doria de Barros.

A Sessão transcorreu dentro da nossa ritualística, prestigiada por um grande número de irmãos visitantes e o novo irmão foi recebido com muito carinho e alegria por todos os membros do quadro.

Abaixo algumas fotos ilustrativas da cerimônia:



CIMENTO MÍSTICO


Autor: E. Figueiredo





Não sabeis vós que sois templo de Deus,
e que o espírito de Deus mora em vós ?
                                           I Cor 3:16

As Lojas Maçônicas são a insígnia viva de comunhão em que o Homem vive uma experiência interior ímpar alimentada por símbolos.  Por meio do simbolismo, a Sublime Ordem apresenta-se como uma das vias de pesquisa do conhecimento, vias essas que não se opõem à nenhuma religião ou fé religiosa.  A arte de construir o Templo é o escopo maior dos Maçons, utilizando-se dos símbolos, considerando que a Maçonaria, no seus primórdios, era uma categoria de corporação operária consagrada à construção de edifícios e catedrais.

A partir do momento que alguém se torna Maçom, há de se conscientizar que haverá um caminho longo a percorrer.  Pode-se dizer que é um caminho sem fim.  Ao longo dessa caminhada há bons e maus momentos.  Os bons deverão ser aproveitados como incentivo, e, os maus não poderão ser motivo de esmorecimento e desistência da viagem iniciada.  A linguagem, sempre empregada nas Lojas Maçônicas, diz que o Aprendiz Maçom é uma pedra bruta que deve talhar-se a si mesmo para se tornar uma pedra cúbica.  É o início da sua jornada Maçônica.

O nutrimento elementar para a viagem é conhecido do Maçom desde a primeira instrução recebida:  A régua de 24 polegadas, o maço e o cinzel.  Com o progresso, o Maçom vai recebendo outros objetos, tais como o nível, o prumo, o esquadro, o compasso, a corda, o malhete e outros.  Os utensílios de trabalho, obviamente, são simbólicos.  Todos os símbolos abrem as portas sob condição de não nos atermos apenas às definições morais.  E é com o manuseio dessas ferramentas que se começa a tomar consciência do valor iniciático da Maçonaria.  O espírito Maçônico ensina, aos seus adeptos, um comportamento original que não se encontra em nenhum outro grupo de homens.  Se isso não for absorvido, não será um bom Maçom.

O Maçom recebe, juntamente com os apetrechos, os ensinamentos necessários para começar a burilar a pedra bruta, cujo trabalho, entretanto, não termina ao torná-la cúbica:  falta, ainda, a construção do Templo, que só será possível graças ao manejo dos instrumentos de trabalho e o cumprimento dos ensinamentos recebidos, adicionados à virtude, sabedoria, força, prudência, glória e beleza. Os elementos morais que devem ser o ornamento dos Maçons em sua viagem, cujo rumo não é ao desconhecido.  Entenda-se, pois, que a caminhada não se restringe, apenas em portar as ferramentas, mas, principalmente, em aprender a preparar o cimento místico para trabalhar no plano superior.

O cimento místico é a argamassa, que bem misturada, fará com que os Mestres não percam o amor pela escola, deixando de ensinar; evitará a avidez pelo poder de mando, tão comum entre os homens; propiciará que o Aprendiz se torne um perfeito Mestre, para cumprir com o seu dever de Maçom, se a argamassa não deteriorar....

A Iniciação Maçônica se completa quando o Maçom galgou, sucessivamente, os degraus de Aprendiz, Companheiro e Mestre.  Durante as passagens desses graus a formação do Maçom irá tornando-o hábil, com a trolha, para amassar com coragem e perseverança o cimento místico que servirá para a edificação do Templo do Grande Arquiteto do Universo.  É quando estará apto para voltar ao mundo profano, esclarecido pelos deveres de Maçom, e pregar para o bem da Humanidade.  Estará consciente de que a Maçonaria é a única instituição competente para levar o Homem ao domínio da paz, da ordem e da felicidade.  Ele aprendeu que no seio da Sublime Ordem não existem desejos nem interesse pessoais a satisfazer, e que a ambição se delimita às necessidades da Fraternidade.  Que a vaidade não pode regurgitar e que a lei fundamental, como regra absoluta, é a extinção dos maus desejos que afligem a Humanidade.  Enfim, que a Maçonaria é a associação mais propícia à obtenção do aperfeiçoamento social e moral do Homem.

Só o verdadeiro Maçom poderá sentir e compreender que o Templo do Grande Arquiteto do Universo é o interior de cada um de nós, o Templo humano.  O Templo espiritual, que é edificado no coração e mente do Maçom para recolhimento do Bem, do Amor Fraternal, da Beneficência e da Concórdia.




Bibliografia:

  Boucher, Jules – A Simbólica Maçônica
    Jacq, Christian – A Franco-Maçonaria – História e Iniciação
      Santos, Sebastião Dodel – Dicionário Ilustrado de Maçonaria
        Tourret, Fernand – Chaves da Franco-Maçonaria

          Manual de Aprendiz Maçom - GLESP

(IN) TOLERÂNCIA



 
Autor: E. Figueiredo
 
 
“A tolerância é a melhor das religiões !”
                     Victor Hugo (1802 – 1885)
 
TOLERÂNCIA, do latim tolerare (sustentar, suportar), é um termo que enuncia o grau de aceitação ante um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física.  Pela ótica da sociedade, a tolerância é a capacidade de uma pessoa ou grupo social de aceitar outra pessoa ou grupo social, que tem uma atitude diferente das que são a norma no seu próprio convívio.
 
Na Maçonaria a tolerância é tida como uma virtude.  A Sublime Ordem prega que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio fundamental nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um, não somente entre os Irmãos, mas em toda sua convivência.  Como toda virtude, a tolerância consiste essencialmente em um comportamento prático, numa regra de conduta com relação aos outros.  E um dos deveres do Maçom é a tolerância, que deixa a cada um o direito de escolher e seguir sua religião, sua opção política e suas opiniões.
 
Ao ser iniciado, o Maçom recebe um exemplar do Ritual do Simbolismo Aprendiz Maçom.  A primeira coisa que ele encontra, ao abri-lo, são os dez Princípios Fundamentais.  O nono fundamento reza: “Exigir tolerância para com todas e qualquer forma de manifestação de consciência, de religião ou de filosofia, cujos objetivos sejam os de conquistar a Verdade, a Moral, a Paz e o Bem Estar Social.
 
Em seu livro TRATADO SOBRE A TOLERÂNCIA, François Marie Arouet, o Voltaire (1694-1778) faz uma reflexão a partir do julgamento de um comerciante da cidade de Toulouse, acusado por um suposto homicídio.  Em virtude de se basear em um caso de intolerância religiosa flagrante, as palavras de Voltaire acerca dessa questão, se tornaram paradigmáticas para qualquer outra reflexão posterior sobre tolerância, intolerância, liberdade de expressão, de consciência e na crença e fanatismo religioso.
 
O caso aconteceu numa época em que os católicos ainda eram maioria, tanto numérica quanto culturalmente, na Europa, com uma família que se viu envolvida numa situação delicada.  Jean Calas, o chefe da família e que era calvinista, foi acusado pela morte por enforcamento do seu único filho católico.  Com essa acusação, de ter matado seu filho Marc-Antoine Calas, que havia se convertido ao catolicismo, Jean Calas de vê na iminência de ser julgado por um tribunal criminal.  A notícia se espalhou pela região inflamando um sentimento de ódio entre os católicos de Toulouse que passaram a pressionar cada vez mais o Estado para que o acusado fosse julgado o mais rápido possível pedindo a condenação imediata.
 
Com o ânimo da pressão aflorado, ninguém mais questionava a real autoria do réu que passou a ser tratado como homicida do filho, sumariamente.  A comunidade protestante ficou na mira da população católica cada vez mais indignada, irredutível e furiosa,
 
Nas investigações as evidências apontavam que Marc-Antoine Calas, havia cometido suicídio, enforcando-se.  Apesar das evidências, Jean Calas é julgado responsável pelo homicídio e sua condenação saiu no dia 9 de Março de 1762, com a pena de ter os ossos quebrados, depois estrangulado e atirado numa fogueira.  Era a punição para quem ousasse atentar contra um católico em Toulouse.
 
Assim, no dia seguinte, Jean Calas foi executado, publicamente, em um ritual macabro que certificava a intolerância, o ódio e a insanidade de uma religião hegemônica, atestando a falta do bom senso, da lucidez e da tolerância, propriamente dita, de cujo processo Voltaire escreveria a obra TRATADO SOBRE A TOLERÂNCIA, com aprofundadas reflexões.
 
No início do seu livro, Voltaire faz questão de lembrar que na Europa por muito tempo o abuso da religião e o dogmatismo exacerbado já haviam ceifado muitas vidas.  Na sua argumentação ele expressava, “O furor que inspiram o espírito dogmático e o abuso da religião cristã mal compreendida derramou sangue, produziu desastres em vários lugares”.  Ele falava, ainda, de uma forma que ficava difícil acreditar numa convivência pacífica das religiões, já que o catolicismo continuava reivindicando uma hegemonia, entrando em choque com a religião protestante que estava em ascensão. A intenção de Voltaire era, com todo otimismo, expressar uma realidade ideal.  Apresentar uma realidade possível de convivência entre diferentes religiões, já que cada uma teria muito a contribuir com a Humanidade.  A obra tem apenas uma pequena parte argumentativa, o essencial reside em mostrar por meio de exemplos os estragos do fanatismo, particularmente o religioso, durante o curso da história.  Embora tenha se inspirado em John Locke (1632-1704), que desenvolveu como ideia principal “a distinção entre a comunidade política e a sociedade religiosa, a distinção e a separação radical entre funções da Igreja e as do Estado”, Voltaire não tinha por objetivo essa separação, mas a subordinação da Igreja ao Estado, pois enxergava nisso um meio eficaz de se garantir a tolerância propriamente dita.
 
Dentre os trechos mais comoventes da sua obra, destaca-se a impressionante “Prece a Deus”, com a  qual Voltaire conclui seu tratado, que num dos trechos diz:  Já não é aos homens que me dirijo, é a Ti, Deus de todos os seres, de todos os mundos e de todos os tempos.  Se a frágeis criaturas perdidas na imensidão e imperceptíveis ao resto do universo, for permitido ousar pedir algo a Ti, Ti que tudo concedeu, Ti cujos decretos são tanto imutáveis quanto eternos, digne-se olhar com piedade aos erros ligados à nossa natureza; que tais erros não se transformem em calamidades !”.
 
Entretanto, as religiões sempre foram intolerantes umas com as outras, pois todas se consideram detentoras exclusivas da verdade.  Proteger a integridade do dogma é para qualquer religião uma questão vital.  Compreende-se, pois, que a intolerância é uma atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças em crenças e opiniões.  Num sentido político e social, intolerância é a ausência de disposição para aceitar pessoas com pontos-de-vista diferentes.  No âmbito religioso, com relação a outros credos, por serem monoteístas, as religiões cristãs têm dificuldade em tolerar a possibilidade de existência de outros deuses.
 
Algumas citações:  Tolerância não significa aceitar o que se tolera. - Mahatma Gandhi(1869-1948);  Há um limite em que a tolerância deixa de ser virtude. -  Edmund Burke(1729-1797);  Sempre que se produz legislação baseada na religião, abre-se caminho a todo tipo de intolerância e perseguições. - William Butler Yeats(1865-1939); São pouquíssimo os homens capazes de tolerar, nos outros, os defeitos que eles próprios possuem. Arturo Graf(1848 – 1913);  A responsabilidade da tolerância está com os que têm a visão mais ampla. - George Eliot(1819-1880). - O sucesso reside em três coisas: decisão, justiça e tolerância. - Johann Wolfgang von Goethe(1749-1832);  Na prática da tolerância, um teu inimigo é o melhor professor. - Dalai Lama XIV(1935- );  Com a sabedoria aprendemos a ser tolerantes.  Henry David Thoreau(1817-1862).
 
Apesar de Voltaire ter escrito em 1763, o TRATADO SOBRE A TOLERÂNCIA revela-se hoje, mais de 250 anos depois, uma reflexão atualíssima sobre o comportamento do Homem, a religião de cada um, o sistema judiciário, a responsabilidade dos juízes e os efeitos perversos que as leis podem ter.
 
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Bibliografia:

   Aslan, Nicola – Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia

      Bruno, Alci – Aconteceu na Maçonaria

         Locke, John – Carta sobre a Tolerância

            Mellor, Alec - Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons

               Voltaire – Tratado Sobre a Tolerância 

O CARNAVAL E A MAÇONARIA

Autor: Julio Cesar C. dos Santos



Estudos apontam que o carnaval teve provavelmente sua origem em celebrações de festas pagãs, como os realizados em honra de Baco, o deus do vinho, e as saturnais romanas e as Lupercalia, ou aqueles que tiveram lugar em homenagem ao touro Ápis, no Egito.



Segundo alguns historiadores, as origens das festividades do carnaval remontam à antiga Suméria e Egito (onde teve sua primeira concentração carnavalesca) a mais de 5.000 anos, com celebrações similares no Império Romano, onde o costume se espalhou por toda a Europa, sendo trazido para a América pelos navegantes espanhóis e portugueses que nos colonizaram a partir do século XV.



O carnaval remonta além das festas pagãs as Celtas, a festividade contemporânea conhecida como o Carnaval pode ter tido sua origem na necessidade de comer todas as carnes e produtos animais como ovos e manteiga antes de iniciar o período da Quaresma. Segundo a tradição católica durante a Quaresma não se deve comer carne, mas somente peixes e legumes.  No entanto, as verdadeiras origens do Carnaval são ainda desconhecidas. Não há como verificar onde e quando nasceu o carnaval.  A data do carnaval varia de ano para ano. Muitas pessoas perguntam como calcular a data do Carnaval ?



O calendário é marcado pela Igreja Católica (que no início era contra tal festança). A data da Páscoa começa (Domingo de Ramos) é calculada pelo mês lunar (28 dias) e domingo para a primeira lua cheia depois do equinócio da primavera (21 de março). Em outras palavras, a Páscoa só pode começar o mais tardar em 22 de Março e até 18 de abril. Portanto varia de ano para ano.  Assim, o costume foi levado para calcular as datas do Carnaval, só em contagem decrescente, 40 dias entre o Domingo de Ramos. Esse dia será quarta-feira, e é o dia que começa a Quaresma.



Mas, como em qualquer etapa de nossa história, a Maçonaria tem uma importância especial no carnaval, não como peça fundamental de um xadrez como visto em outras ocasiões importantes ao longo da historia brasileira e mundial, mas agora como homenagens às conquistas alcançadas. Diversas escolas de Samba trazem suas homenagens na letra de samba de enredo e nas suas Alas e fantasias, homenagens essas justas e perfeitas, uma forma encontrada pelos carnavalescos em transmitir ao mundo nossas maravilhosas conquistas. Porém, exposições dessa natureza fazem mal, porque afastam e expõem à crítica dos detratores que nelas encontram causas fundadas para chacota sob todos os aspectos. Querem motivos mais justos que estes para que reprovemos a participação de Irmãos expondo seus paramentos, desfilando em carros alegóricos, num espetáculo mesmo de amor nacional. Fosse o carnaval festejado com música e danças, fantasias e desfiles, seria uma bela festa tão inocente como a comemoração de um aniversário. Mas não é isso o que acontece, é sem duvida uma festa para alguns e um bacanal para outros. A bruxa fica solta, a bebida e a droga rolam como nunca, mulheres ficam grávidas, e nem sempre estão dispostas a levar até o fim a gravides, gerando uma corrente de abortos. Os próprios governantes, com a distribuição de preservativos, estimulam a baderna, porque o sexo está vulgarizado. Gastam o dinheiro dos impostos para subvencionar os prazeres dos irresponsáveis.



A Maçonaria não pode ser exposta dessa tal forma. Tudo bem que a população não saiba dos grandes feitos da Maçonaria em nossa história, mas acho que o carnaval não é o meio mais adequado para isso. Os “foliões” sob o efeito do álcool não darão a devida importância ao enredo e logo esquecerão o que foi dito, principalmente se a escola que o escolheu não for a campeã. Nossas alusões a datas, personagens, eventos da natureza sempre ocorreram dentro de nossos Templos e às portas fechadas.



Devemos sempre levantar templos a virtude e cavar masmorras ao vício.

O FIM DO JORNAL IMPRESSO!

Autor: E. Figueiredo




Há algum tempo li uma notícia, transcrita de uma publicação americana, que o último jornal impresso circulará pela última vez, no ano de 2043.  A notícia  completava  que o diagnóstico, mais ou menos consensual, era que, com a chegada da Internet o antigo modelo de negócios baseados em receitas publicitárias, seria danificado.  Não entendi o que isso queria dizer.



Num outro artigo, que tratava  também sobre o fim dos jornais, revistas e livros impressos, atribuía ao fato da modernidade que força as mudanças dos hábitos, principalmente da leitura impressa, direcionando para a Internet, face a facilidade de busca, a qualquer momento, naquilo que se tem interesse.



Mesmo 2043 estando muito longe, acho prematuro o anúncio de que o jornalismo impresso esteja vivendo seus derradeiros dias.



O primeiro jornal, no sentido de noticiário impresso com circulação pública e periódica, surgiu em 1605, em Estrasburgo, que era uma cidade germânica. 



Outros noticiários existiram antes como manuscritos chineses, do século XVIII ou as “Acta Diurna”, a partir do ano 59 a.C, em que o imperador romano Júlio César tornara público atos governamentais, por meio de placas.



Em meados do século XV, a técnica de impressão com tipos móveis, criada por Johannes Gutenberg, estimulou a circulação de panfletos noticiosos por toda a Europa.  Todavia, antes do jornal de Estrasburgo, em 1556, o governo da República de Veneza, publicou o mensal Notizie Scritte, folhas avulsas podiam ser compradas por uma gazetta (o nome da moeda inspirou publicações em todo mundo com essa designação).  Esses avisos eram boletins escritos à mão e utilizados para distribuir notícias políticas, militares e econômicas para as
cidades italianas que compartilhavam algumas características de um jornal, apesar de não serem, propriamente, considerados jornais verdadeiros.



Até 2007, quando se tornou on-line, o jornal mais antigo do mundo em circulação era o sueco POST-OCH INRIKES TIDNINGAR, que publica registros e notificações desde 1645.



O jornal impresso, ou jornalismo moderno, surgiu no século XVI e tornou-se conhecido como o quarto poder.  A invenção da prensa móvel ficou conhecida como a grande revolução da escrita impressa.



A revolução na época foi tamanha que alguns historiadores afirmam que, a prensa de papel de Gutenberg, tirou o planeta de vez da Idade Média, levando o mundo para a Era da Renascença, com o despertar definitivo da ciência e do jornalismo profissional.



No Brasil o jornal impresso chegou muito tempo depois, por volta de 1808, em virtude de motivos políticos e econômicos.  Oficialmente, a imprensa brasileira nasceu no dia 13 de Maio de 1808, na cidade do Rio de Janeiro, com a criação da Impressão Régia (hoje Imprensa Nacional) pelo Príncipe Regente Dom João.  O primeiro jornal publicado no Brasil foi a Gazeta do Rio de Janeiro, que começou a circular em 10 de Setembro de 1808, impressa em máquinas trazidas da Inglaterra. Todavia, no mesmo ano, pouco antes, o jornalista Maçom e diplomata brasileiro Hipólito José da Costa (1774-1823) lançara, de Londres, o primeiro jornal brasileiro com o nome de Correio Braziliense, com data de Primeiro de Junho de 1808, mas só chega ao Rio de Janeiro em Outubro, onde teve grande repercussão nas camadas mais esclarecidas, mas foi proibido e apreendido pelo governo.



Os jornais impressos e o jornalismo chegaram ao século XX no auge do seu prestígio e popularidade.  A indústria dos jornais na época era tão grande que as pesquisas afirmavam que 1 em cada 2 norte-americanos adultos lia jornais uma vez por dia.  O período entre 1890 e 1920 tornou-se conhecido como Era de Ouro dos Jornais.



A partir de 1920 a atividade do jornalismo tradicional começa a decair com a chegada do rádio.  O rádio tornou-se um poderoso concorrente que passou a roubar anunciantes e os próprios jornalistas profissionais do jornalismo tradicional.



Por sua vez, os jornais tentam reagir e providenciam várias medidas para se tornarem mais modernos e populares.  Adotam, pela primeira vez, a publicação em larga escala de fotos grandes e coloridas, pois até então eram todas em preto e branco.  Passam a usar uma linguagem mais popular e também criam novas sessões com espaços aos esportes e humor.  Esse tipo de modernização permitiu que o jornalismo tradicional chegasse até os dias de hoje.  Entretanto, o século XX ainda reservava outra surpresa: A Televisão !



A partir de 1950, a televisão passou a dominar a hegemonia dos jornais, dos rádios e do jornalismo clássico, e tornou-se o principal meio de comunicação em todo mundo, posição que se mantém até hoje.



Com o surgimento e popularização dos computadores e Internet, o jornalismo clássico se reinventa e surge o Webjornalismo.



Apesar da diminuição da importância dos jornais impressos, face às novas tecnologias, essas publicações e a atividade de jornalismo tradicional, ainda ocupam grande espaço no mundo, sendo considerado principal meio de comunicação, atrás apenas da televisão.



Meu pai não era de ler livros, porém sempre tinha jornais em casa.  Ele lia tudo nos jornais, até os “reclames”.  Quando eu estava com 10 para 11 anos ele passou a pedir, às vezes, que lesse alguma coisa no jornal para ele.  À princípio eu pensava que era castigo, mas depois vim a compreender que era, primeiro, para aprender a ler jornal, hábito que todo homem deve ter;  segundo, que eu fosse bem em leitura na escola.  Com o tempo, passei a ler quase que o jornal todo enquanto ele não interrompia seus afazeres.  Fiquei viciado em ler jornais e nunca mais parei de lê-los.



Há de se considerar que, com o passar do tempo, existe cada vez mais u’a maior ligação entre as tecnologias que surgem e o ser humano, como forma de se ligar ao mundo.  A comunicação torna-se cada vez mais eficaz à medida que evoluímos: passamos do telefone e telégrafo à rádio, da televisão à informática e hoje aos denominados multimídias, que são hoje um dos mais eficazes recursos para garantir a percepção e o acúmulo de conhecimento.  Contudo, muitos opinam, que os jornais impressos ainda têm vida longa e prevê-se que sobreviverão porque promoverão mudanças radicais em seu conteúdo.  Não se pode confundir jornais com jornalismo.  Este, sim, jamais desaparecerá, pois é uma atividade profissional de comunicação num todo, que abrange várias formas de interatividade.



Não sei como outras pessoas, habituadas a ler jornais impressos, encaram a premonição do seu fim.  Será que aquelas, que são da era antiga, e não se acostumaram com as novas tecnologias, vão se adaptar à essas modernidades ? Evidente que, com o avanço tecnológico, as coisas mudam e nunca será o mesmo como no passado.  Os processos de mudança na comunicação passam pela contemporânea convergência cujas plataformas agregam, inovavam e, consequentemente, ganham novos formatos, novas forças, novos modelos e apresentações.  Aliás, isso é uma constante no jornalismo.  O problema é como entender e encarar a metamorfose que abrange uma coisa que se gosta.  Apesar de, às vezes, eu ler notícias pela Internet, para mim não é a mesma coisa, e, até acho meio estranho.  Já me transportei, na imaginação, para esse futuro, para me ver no desjejum, pela manhã, sem meu jornal impresso ao lado. INCONCEBÍVEL !



Na verdade o jornal impresso tem grande poder de influência na sociedade, e, ela confia e se sente, realmente, segura.  Não obstante, a evolução natural dos meios de comunicação e a procura em tempo real das notícias leva, cada vez mais, as pessoas procurarem dispositivos tecnológicos, que disponibilizam versões atualizadas o quê os impressos só publicam algum tempo depois.



Diversas publicações impressas já migraram para a Internet.  Se já possuíam veículo nessa plataforma, passaram a dar exclusividade em virtude de vários interesses.  Os motivos variam desde o custo do papel à explosão da própria Internet, passando com a proliferação de aparelhos como smartphones, tablets e outros.



Com essa nova dinâmica, no meio de comunicação, surgiram debates sobre como as publicações impressas vão sobreviver.  Como divulgar informações se na Internet elas chegam em tempo real ? 



Quem  viver, verá !