O TEMPLO MAÇÔNICO

O TEMPLO MAÇÔNICO

INSTALAÇÃO E POSSE DA ADMINISTRAÇÃO 2014/2015.






No dia 30.06.2014 ocorreu em nosso Templo a cerimônia de Instalação do Venerável Mestre eleito no último pleito, Irmão Marco César Belon Zorzetto, bem como a posse dos membros da sua administração.
















A reunião foi presidida pelo Venerável Presidente Instalador Airton Guimarães Justino, da ARLS Pentalpha Paulista – 208, Venerável 1º  Vigilante Instalador Marcelo, da ARLS XXVII de Setembro  e Venerável 2º Vigilante Instalador Álvaro Ernesto Soares Vilella Neto, da ARLS Verdadeiros Irmãos – 669.  Acompanharam os trabalhos o Delegado Regional da 6ª Região, Irmão Hélio Santo André e quase 40 Irmãos entre membros da Loja e convidados.

















Após o ato em si, o Venerável Mestre Instalador franqueou as manifestações para que todos pudessem se expressar livremente sobre o evento, tendo usado da palavra vários Irmãos do quadro além dos visitantes.

Ato contínuo, o Venerável Mestre empossado fez um belíssimo discurso tratando sobre os novos desafios da Loja, sempre com base na FÉ, ESPERANÇA e CARIDADE.  Cumprimentou, em nome de todos os Obreiros da ARLS Verdadeiros Irmãos - 669 o Venerável Mestre que deixa o cargo, Irmão Gilberto Viana,agora o novo Past Master da Loja e, ao final, foi aplaudido com uma bateria incessante.

Em seguida foi feita saudação à Bandeira, pelo Irmão E. Figueiredo, seguindo-se o encerramento de praxe da sessão.

No término da Sessão,foi oferecida uma rodada de pizza, de vários sabores, onde cada Irmão visitante recebeu, como brinde, um CD com o hino da Loja acompanhado do certificado de presença.

A ÚLTIMA EXPERIÊNCIA (2a Parte).




                                                                                                                 Autor: Dilson C. A. de Azevedo


(2ª Parte)





“Um dia, no fim do conhecimento das coisas, abrir-se-á a porta do fundo e tudo o que fomos – Lixo de Estrelas e de Almas – será varrido para fora da casa.”





Bernardo Soares – Heterônimo de Fernando Pessoa (1888-1935), poeta português.

Livro do Desassossego.





“Trazei pajens; trazei, virgens; trazei, servos e servas, as taças, as salvas e as grinaldas para o festim que a Morte assiste!

Trazei-as e vinde de negro, com a cabeça coroada de mirtos.

Vai o Rei a jantar com a Morte, no seu palácio antigo, à beira do lago, entre as montanhas, longe da Vida, alheio ao Mundo.”

Bernardo Soares

Livro do Desassossego.





O encontro com a Indesejável das Gentes (designação por Manoel Bandeira; 1886-1968; poeta brasileiro) caracteriza-se por ser inevitável e imprevisível.

Diziam os antigos: “Mors certa, hora incerta”.

Um homem preocupado com isso, fez um trato com a Morte, para que fosse avisado com antecedência sobre o momento em que deixaria o Mundo.

Começaram então a falecer familiares e amigos, até que ele também percebeu que iria adentrar ao Reino de Hades.

Ao ver a lúgubre Senhora, com o seu manto negro, garras de harpia, segurando uma foice, revoltado ele lhe perguntou: não acertamos que eu fosse bem antes avisado?

Ela respondeu-lhe: e o desaparecimento dos seu parentes e amigos não foi o suficiente?

Pode acontecer que o desenlace individual seja lento e previsível. Neste caso é importante para maior tranqüilidade ao que se despede da Vida, que siga as recomendações de: agradecer a todos os familiares, pedir desculpas pelas faltas cometidas, manifestar amor aos que ficam, despedir-se convenientemente (orientações da psiquiatria suíça Dra. Elisabeth Kubler Ross; 1926-2004).

Sabe-se que, ao mesmo tempo, somos Mortais e Eternos, e em nosso corpo físico Vida e Morte coexistem.

Ingressamos neste mundo em que existe a dualidade (bem, mal; dia, noite, etc) através de uma inspiração e o deixaremos após uma última expiração.

Assim, por nossos movimentos respiratórios (10 a 15 vezes por minuto), mesmo sem o percebermos, estamos simbolicamente nascendo e morrendo, enquanto interagimos e vivenciamos experiências diversas. Como falou Goethe (1794-1832; escritor alemão): “Tudo que sei custou as dores das experiências”.

Em nosso sangue (4 litros, no adulto; 7% do peso do corpo), são destruídos (e não tomamos conhecimento disso), um trilhão de glóbulos vermelhos por dia, e pelo fenômeno de Apoptose (morte celular programada, e sob controle genético), descamam diariamente milhões de células da epiderme (camada visível da pele 2 m2 de extensão; maior órgão do corpo) possibilitando a sua renovação.

Na Mitologia Greco-Romana, existe referência a três irmãs (Moiras ou Parcas): uma que tecia o fio da Vida, outra que determinava-lhe o tamanho e a terceira que o cortava: Cloto, Laquesis e Atropos.

Coincidentemente, na biologia celular conhece-se uma estrutura nas extremidades dos cromossomos denominada telômero, que vai diminuindo nas divisões das células chegando a um limite que dificulta a divisão celular, a qual permite a Vida. A propósito já foi descrita uma rara doença genética denominada Progéria caracterizada por envelhecimento físico precoce, sendo uma das etiologias aventadas a perda das extremidades dos telômeros, levando a morte por volta dos 16 anos de vida.



Foto crianças com progéria







A expectativa da existência humana está ligada à melhoria das condições econômicas higiênicas e médicas da população. Atualmente no Japão encontra-se por volta dos 86 anos.

Em alguns casos, porém, sabe-se que a Vida Humana pode ser extensa. A Sra. francesa Jeanne Calment (1875-1997) foi a mulher que comprovadamente teve a vida mais longa da História: 122 anos e 164 dias.

A Criação e Destruição estão sempre presentes em Nosso Universo. Está até previsto, astronomicamente, que nosso planeta será um dia destruído pelo Sol, e nossa Galáxia (Via Láctea) colidirá com aquela de Andrômeda.

Em relação aos Seres Humanos, Nascimento e Morte são os aspectos a considerar, pois a Energia que nos constitui é absoluta, eterna.

A inexorável ocorrência da Morte, poder sobre o qual não temos controle, pode ser adiada através de cuidados relatados a seguir: consultar o médico periodicamente, manter atualizadas as vacinas, fazer exercícios físicos, alimentar-se de modo saudável em pequenas porções (mais vegetais, menos carne vermelha), cultivar o equilíbrio psíquico e pessoal, lembrar-se de sorrir pois isto libera endorfinas (diminui a dor) e serotonina (aumenta o bem estar); ter um objetivo na vida, e cultivar de modo equilibrado altruísmo e bondade.

Um recurso simples para nossa saúde reconhecido pela Medicina, é a Meditação, prática com mais de 5 mil anos, e que não tem nada a ver com a Religião.

Ela acalma a mente e permite até lampejos de autoconhecimento.

Tal procedimento entre outros benefícios diminui: os batimentos cardíacos, a pressão sanguínea, os movimentos respiratórios e consumo de oxigênio. Reduz também a frequência das ondas elétricas cerebrais que estão relacionadas a diferentes estados de consciência, sendo que por ex. as ondas beta estão ligadas ao estado de vigília (atenção voltada ao mundo exterior) e as ondas alfa ao relaxamento (mundo interior). Ocasiona ainda esta atividade uma diminuição da tensão muscular e nível de adrenalina (que aumenta em situações de estresse provocando taquicardia e tremores).

Pode ser feita em qualquer lugar silencioso, duas vezes por dia, preferencialmente no mesmo horário, iniciando-se com cinco até chegar a 30 minutos. Deve-se usar roupas folgadas, sentar-se (não deitar-se, o que favoreceria o sono) deixar a mandíbula relaxada, manter a coluna ereta (facilita o fluxo de energia no corpo e evita tensão muscular) colocar as mãos sobre as coxas, pernas separadas, fechar os olhos e prestar atenção na inspiração e expiração.



Convém manter a atenção em um ponto entre as sobrancelhas, região da glândula pineal, segundo René Descartes (1596-1650) sede da alma, e atualmente entendida como um transdutor de freqüências energéticas.

Essa prática poderia em pessoas com boas condições de saúde, ser precedida por outro exercício para aliviar o estresse: a ioga do hálito de fogo (Lama Surya Das): respirar fundo enchendo por completo o abdômen; então soltar o ar pela boca com um grande suspiro de alívio. Repetir estas respirações 7 ou até 21 vezes.

A Morte permite biologicamente a evolução e renovação do que existe. Sendo ela universal e implacável, cria a igualdade de entre os seres humanos e nos ensina a humildade e o desapego.

Ela nos conscientiza de não desperdiçarmos a Vida, e para alguns religiosos de evitar consumir o tempo que temos gerando situações que retardem atingirmos o nosso destino final: o Numinoso, o Transcendente.

Sobre os pontos de vista acima convém lembrar o que falou D. Hillenbrand:

“Não é uma questão de poder ou não poder, é uma questão de fazer ou não fazer. Tudo é escolha; escolha com sabedoria.”

O aspecto numinoso constitui em algo muito importante e pode ser associado ao Mito de Sísifo, mortal astuto e inescrupuloso que buscava apenas o prazer na Vida. Para isso conseguiu aprisionar a Morte, esvaziando o Reino de Hades (Plutão) nas vastidões do Érebo (mundo dos mortos).

Zeus então condenou-o a rolar uma pedra colina acima, a qual sempre descia, começando tudo de novo.

Perdeu ele então a possibilidade de prosseguir em seu destino.

Ensina à respeito o Prof. Viktor D. Salis: esse é o sentido e o destino daqueles que estão presos ao material e à busca incessante do prazer como um fim em si mesmo: estão condenados a permanecer sempre no mesmo lugar, estão rolando uma pedra sem sentido, e só eles não foram avisados”.

Assim urge em vida desenvolvermos qualidades humanas; cultivarmos o que de mais nobre exista em nós, deixando uma marca no mundo por menor que seja, um exemplo aos demais, não vivendo em vão.

Cite-se a respeito o caso do milionário e químico sueco Alfred Nobel (1833-1896) inventor da dinamite, explosivo à base de nitroglicerina.

Ele ficou chocado por ocasião da morte do seu irmão, quando um jornal francês, colocou erroneamente o seu obituário, chamando-o “mercador da morte”.

Refletindo sobre isto ele resolveu criar uma Fundação com o seu sobrenome, destinada a promover prêmios (Prêmio Nobel) aos que contribuíssem para o progresso da Humanidade.

Grande parte dos homens, entretanto, tendem a ser desequilibrados, egoístas , gananciosos, onipotentes, predadores do meio ambiente.

O panorama seria mais aterrorizante, não fosse o trabalho secular das Religiões ou Organizações como a Maçonaria, que une indivíduos bons e selecionados, para o aperfeiçoamento pessoal, e com isto torná-los ótimos construtores sociais.

As grandes potências mundiais, que lamentavelmente, tem apenas interesses econômicos, vivem indiferentes a tragédias que ainda ocorrem, como por exemplo, na Somália, onde milhões de pessoas morrem de fome, pois o país não tem agricultura e sua pesca foi prejudicada por ações predatórias de países europeus, os quais usam as praias desta nação africana como depósito de lixo hospitalar e material radioativo.

Preferem estes países desenvolvidos investir em seus poderios bélicos, já suficiente para extinção da Humanidade, a demonstrar preocupação com estes seres em condições adversas.

Não se trata aqui de paternalismo, porém de promover, na medida do possível a prática da justiça, do respeito, do amor, valores que contribuem para um mundo melhor. Afinal viemos de uma única fonte, somos um em nível de essência, e se uma parte de nós está sofrendo, e não é aliviada, as demais, até em proveito próprio, devem ter a coragem de abandonar a indiferença e restabelecer a harmonia no todo.

Uma ação mundial, por mínima que fosse em países subdesenvolvidos reduziria a ignorância, o fanatismo, o terrorismo, e as ações predatórias contra os mais afortunados.

Diga-se, a propósito, que alguns Somalis praticam a pirataria em sua costa marítima.



Lixo hospitalar em praia na Somália







Fome na Somália







Em povos vivendo estas experiências terríveis, o instante da morte, em que os seres humanos, partem com as mãos vazias não obstante serem ricos ou poderosos, constitui-se em momento de felicidade, como descreveu a poetisa portuguesa Florbela Espanca (1894-1930):



“Morte, minha Senhora Dona Morte, tão bom que deve ser o teu abraço!

Lânguido e doce como um doce laço e, como uma raiz, sereno e forte.



Não há mal que não sare ou não conforte

Tua mão que nos guia passo a passo,

Em ti, dentro de ti, no teu regaço,

Não há triste destino nem má sorte.



Dona Morte dos dedos de veludo,

Fecha-me os olhos que já viram tudo

Prende-me as asas que voaram tanto!






A ÚLTIMA EXPERIÊNCIA.



(1ª Parte)

 Autor: Dilson C. A. de Azevedo


“Carpe diem nec minimum crédula postero.”
(Aproveite o dia (de hoje) confie o mínimo no amanhã).

Quinto Horácio Flaco (65 aC – 8 aC) poeta lírico e satírico Romano.




“Lá-bas, je ne sais oú.”
Partir!
Nunca voltarei,
Nunca voltarei porque nunca se volta
O lugar a que se volta é sempre outro;
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente,
Nem a mesma luz, nem a mesma filosofia.
Partir!
Meu Deus, partir!
Tenho medo de partir...
Alvaro de Campos.
Heterônimo de Fernando Pessoa 
(1888 – 1935), poeta português.


E, de súbito o que desde o nascimento era inexorável, acontece, e torna-se irreversível...
Nenhuma interação física é mais possível; nunca mais...
“Acta est fabula!”
(a peça está representada; anúncio feito pelos Romanos, ao fim dos espetáculos públicos).
Termina assim a participação individual no Teatro do Mundo, permanecendo apenas nele os méritos ou deméritos pessoais na memória dos vivos.
Inicia-se a seguir a desagregação das funções fisiológicas no corpo humano em velocidade variável, seguindo-se a liquefação dos 50 ou 100 trilhões de células pelas suas próprias enzimas (proteínas que catalisam reações químicas).
Adiciona-se a isto, a ação das microscópicas bactérias da pele e dos outros tecidos, em número total superior a 10 bilhões, e que duplicam-se aproximadamente de 20 em 20 minutos.
Os átomos do corpo em decomposição, serão incorporados depois em outros organismos vivos, que desaparecerão um dia, repetindo-se continuamente este ciclo de idas e vindas, como acontece em um caleidoscópio que ao ser girado e com os mesmos fragmentos móveis de vidro colorido cria figuras diferentes.
A partir de quatro semanas do término das manifestações vitais, tornam-se visíveis os 206 ossos (no adulto) que eram envolvidos pelas partes moles (pele, músculos) concluindo-se o desaparecimento das diferentes características da antiga forma externa corporal: beleza, feiúra, simetria, assimetria, etc.
Percebe-se então a uniformidade óssea, entre os que foram vivos.
Os poderes Angelicais, os arrogantes e pretensamente onipotentes Cientistas, que afirmam criar a Vida em Laboratório, e na realidade apenas manipulam o que já foi criado antes, através de leis imutáveis não estabelecidas por eles, são incapazes em reverter os processos referidos anteriormente. Apenas o Poder Criador, consegue reinstalar as condições vitais de início.

O planeta Terra formou-se há 4,6 bilhões de anos e as primeiras evidências de vida datam de 3,5 bilhões de anos.
Estimativas do Population Reference Bureau indicam que, desde o aparecimento do Homo sapiens, 108 bilhões de pessoas já existiram no Mundo.
Nosso planeta em 2013 possuía 7,1 bilhões de habitantes, sendo o tempo médios de vida no Brasil 70 anos, pela melhora das condições de saneamento e alimentação.
Todos estes Seres Humanos irão passar um dia por esta democrática (igual para todos) e triste experiência pessoal, acompanhada de medo e angústia, na qual ninguém pode assumir o morrer de outrém mas apenas morrer pelo outro (elevado nível de altruísmo).
Em um dia perecem 150 mil indivíduos (aproximadamente uma pessoa por minuto).
Aumentam esses números por causas naturais (terremotos, inundações, etc), doenças epidêmicas, conflitos bélicos (p. ex na Segunda Guerra Mundial 45 ou 60 milhões de mortos). Inclui-se nesta última citação matanças entre diferentes grupos religiosos que desconsideram a existência de um único Poder Supremo que a todos respeita, permitindo assim uma Paz Social.
O Homem, “Glória e Escória do Universo” segundo Blaise Pascal (1623 – 1662, físico e matemático Francês), é assim pela Biologia, circunstâncias da natureza e erros pessoais um ser para a morte (M. Heidegger, filósofo alemão, 1889 – 1976).
Conta-se que uma mulher desesperada levou seu primogênito ao Buda (significa desperto) solicitando-lhe que o ressuscitasse. Ele pediu-lhe que trouxesse uma semente de mostarda, de uma casa onde nunca houvesse ocorrido um falecimento. Ela não conseguiu realizar isto e voltou ao Buda, que lhe ensinou que todas as coisas mudam e são impermanentes. Nesse aspecto convém lembrar o que disse Sigmund Freud (1856-1935, médico criador da psicanálise):
“A transitoriedade do que é belo não envolve nenhuma perda do seu valor. Ao contrário, envolve um aumento!
O valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo.
A limitação da possibilidade de um gozo eleva o valor do gozo.